Poucas coisas me deixam tão nervosa quanto o futebol, e o engraçado é que poucas coisas me deixam tão feliz quanto o futebol. Sei que não é exclusividade minha e, convenhamos, GRAGAS A DEUS! Por vezes me peguei pensando: "Como tem gente que não gosta de futebol?" Não gostar do esporte bretão, para mim, é como não gostar de Chico Buarque, ou seja, só loucos. Mas enfim, a questão não é essa, mesmo porque, como zia o velho ditado - vale ressaltar que eu não sou chegada em ditados populares - "cada louco com sua loucura". E eu, na minha loucura, já tive inúmeros ataques de fúria por conta desse tão querido esporte, Já chorei, briguei, fui ao estádio escondida, deixe de lado estudos e tantas outras coisas para acompanhar aquele que me deixa tão nervosa e tão feliz.
Atualmente, a minha relação tem sido de amor e ódio, de alegria e frustração, e não é só por causa do meu time não, é por motivos, que na verdade não tem nada a ver com que acontece dentro de campo. É o tempo que me tem tomado, as noites mal dormidas, as críticas recebidas – que por sinal muito me abalaram- é a bendita monografia, que por sinal, é sobre futebol.
Enfim, tentando retomar a ideia inicial do que seria esse post, vim aqui contar àquele que considero o pior dos meus ataques de fúria. Só quem é louco e apaixonado por futebol sabe de fato o que representa um clássico, como que o torcedor fica diante daquele que é o jogo mais “quente”, seja lá de qual campeonato for. E eu, na última semana, sentia a expectativa de mais um RapoGalo. No domingo, logo quando acordei, sentia que a adrenalina corria pelo meu corpo. Tentei não pensar na partida, estudei, mas as horas foram passando e o jogo foi chegando, com isso o nervosismo e até mesmo o medo foi tomando conta de mim. É, isso mesmo, medo, porque vou te contar, a gente sente medo de perder pro maior rival. Aguentar zoação não é fácil não, pelo menos pra mim, é um verdadeiro exercício de autocontrole. Autocontrole esse que não existiu quando o jogo começou.
“Bola em jogo, alegria do povo”, diria o querido Vibrante. Alegria do povo que nada, aliás, alegria de um povo, do povo que vestia preto e branco, e em dia de clássico eu não suporto preto e branco. Mentira! Eu NUNCA suporto preto e branco. E foi assim, na alegria dos alvinegros que meu nervosíssimo tornou-se explosão. Gol de Obina, logo, Carol gritando, xingando, achando que é a técnica e que os jogadores estão ouvindo. “Respira fundo, tenta relaxar”. Tentei fazer isso, mas...GOL de Obina. Pensa em um mundo de palavrões, então, foi esse mundo de palavras chulas que saiu da minha boca. Em meio à indignação e a “descrença” vem um alento, ou será que não? Pênalti para o Cruzeiro. “Montillo vai fazer o gol e ainda fazer pontos pro meu cartola”, juro que tentei pensar nisso. Sinal vermelho, viro pro namorado e solto: “O goleiro do Atlético vai pegar, ele é bom”. PEEEEEEMMMM. Pior, o craque do Cruzeiro, em uma firula totalmente desnecessária, chuta a bola pra fora, e junto chuta a boca do meu estômago, porque foi exatamente um “gorfo” (para não dizer uma palavra mais nojenta) que saiu da minha boca. Meu Deus, eu quis matar o “argentino filho da puta”, afinal, ele “tava pensando que era quem pra acabar com o clássico assim?”. Em meio os xingos, surgem os ponta-pés, as batidas de porta e uma raiva que eu nunca tinha visto em mim, e por quê? Gol de Obina. “Não é possível, não tô acreditando, tomar três gols do OOOBINAAA?? Time de quenga, seus malditos, argentino fdp, eu quero te matar seu desgraçado”. Vergonhoso, né? Demais! Pensei: “não vou mais assistir esse jogo?”, mas quem disse que eu aguentei? Claro que não, que torcedor de verdade consegue deixar de ver o time mesmo na pior das situações? Sentei novamente no sofá, ainda xingando os “malditos”. Respirei fundo, senti vergonha e falei com Deus: “Me perdoa, Pai, não queria fazer isso, não queria ser assim”. Entre olhares do meu primo e do meu namorado para mim, e aquelas caras de “meu Deus, ela surtou” fui me acalmando e...GOL, mas dessa vez do Gilberto, e que gol! Continuei com raiva, mas um tantinho mais controlada. E assim termina o primeiro tempo.
15 minutos para voltar a ser um animal racional. Racional? Ixi! A luz da esperança nasceu dentro de mim e surgiu a pergunta: “será que dá pra empatar?” Começa a agonia novamente. Cruzeiro volta jogando bem, mas pra mim isso não basta. “Não quero perder pro Atlético, não importa a liderança do Campeonato, vocês que se virem”. Pensei. Pensei também: “Se fizer um gol até os 10 minutos, dá pra empatar, dá até pra virar”. 10 minutos e nada de gol. Pensei mais uma vez: “Se fizer um gol até os 15 minutos dá pra empatar”. Só dava Cruzeiro, mas NADA de gol. “Vai Cruzeiro, faz um gol até os 20 que dá pra empatar”. Chegou na casa dos 20 minutos, mais precisamente aos 21 minutos eis que surge o gol...Gol, mas é do Atlético. “Puta que pariu Cruzeiro, perder de goleada pro Atlético, time maldito! Time maldito! Montillo, você é o culpado”. Ridícula, né? Sim, mais uma vez fui ridícula. Em um momento de desespero sem fim, fiz a pior das coisas que uma torcedora de um time tão digno quanto o meu pode fazer...pensei: “Tô cansada de sofrer, de me iludir. Não nasci pra isso, não nasci pra disputar e nunca ganhar. Desde 2003 não sei o que é um título de verdade...” interrompi meu pensamento, fiquei com vergonha de mim porque me senti tão atleticanizada naquele momento. Respirei e voltei a me concentrar no jogo. E naquela agonia que parecia ser infinita, eis que Tiago Ribeiro, aos 31 minutos, resolve dar o ar da graça, digo, do gol...e do gol do Cruzeiro. “Pelo menos essa merda não vai perder de goleada”. Naquele misto de alívio por uma não goleada e tristeza por perder do maior rival, Tiago Ribeiro resolve acender nessa furiosa torcedora a esperança de um empate. Aos 32 minutos, isso mesmo, apenas 1 minutos depois...GOOOL do Cruzeiro, gol de Tiago Ribeiro. Não vibrei, apenas fiquei mais apreensiva. Meu coração palpitava, eu acreditava. Os minutos passaram a correr e a esperança - maldita esperança que insiste em aparecer quando não deve - ainda estava viva dentro de mim. “Juiz, eu quero muito tempo nos acréscimos, esses galináceos fizeram cera demais, não amarela não, hein”. 4 minutos pra esperança continuar a viver, esse foi o decreto do Sandro Meira Ricci, árbitro do jogo. “Vai Cruzeiro, vai Cruzeiro, VAAAAAAIIII CRUZEEEEIRO”. Era só o que eu conseguia pensar. É, o Cruzeiro não foi. Além de não vencer o maior rival, perdeu a segunda partida consecutiva, e o título que parecia virar uma realidade, pelo menos para mim, ficou um pouco mais distante.
Essa história toda me fez chegar a seguinte conclusão: Como a gente, os torcedores, somos bestas. Tá, que parece que a raiva súbita, a alegria incontrolável, a vontade de xingar, de entrar em campo e jogar, é inerente mesmo dessa categoria tão gigantesca em todo o mundo, que somos nos, os torcedores, sofredores, “alegradores”, sonhadores...dores, dores e dores. Irônico, não é? Eu acho. Enfim, em meio a essa explosão de sentimentos: ansiedade, fúria, frustração, alegria, esperança, e nesse jogo em especial, a vergonha, constata-se que essa é uma Carol assustadora, confesso, que vive dentro de mim. Não sei explicar, paixão talvez. Tá certo, eu preciso aprender a ter autocontrole, mas o fato é que o futebol é assim, um misto de sentimentos e mesmo com tantos “contras” os “prós” se tornam infinitamente mais soberanos, mais prazerosos. Afinal, ele será sempre para mim, meu mais delicioso encantamento.

se Karl Marx estivesse entre nós, ele reformularia sua frase para "o futebol é o ópio do povo". hihi
ResponderExcluirHAHAHA. Meu entorpecente "natural" que horas me faz bem, horas me faz mal =P
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