sábado, 11 de dezembro de 2010

Minas com força máxima no cenário do futebol brasileiro

Com paciência, garra, eficiência e bom comando, os três principais times mineiros voltam a disputar, a elite do principal campeonato nacional


O futebol mineiro está em festa. Depois de nove anos sem as três principais forças do estado, Minas volta a contar com América, Atlético e Cruzeiro na elite do Campeonato Brasileiro. A última edição do Brasileirão que teve todos os times da capital foi no ano de 2001, depois disso, apenas as equipes celeste e alvinegra se mantiveram na primeira divisão, com exceção de 2006, ano que o Galo disputou a série B. A longa espera parece valer à pena para a maioria dos torcedores mineiros.

“O saldo final do ano de 2010 é positivo para os times da capital mineira”, pondera o jornalista esportivo Carlos Eduardo Ribeiro. Esse ano foi recheado de surpresas para os torcedores mineiros, pois seus times viveram altos e baixos ao longo da temporada. “Os torcedores das equipes da capital viveram todos os tipos de emoção ao longo do ano. Alegria, raiva, decepção. Enfim, o futebol se revelou em sua essência para os seus amantes no estado” afirma o jornalista.

O Atlético montou um time cheio de estrelas, sendo que a principal estava no banco, o técnico Vanderley Luxemburgo, começou o ano bem e se consagrou campeão mineiro. Com o início do Campeonato Brasileiro os alvinegros passaram da alegria a decepção, do otimismo ao desespero. “Acreditei que esse ano seria diferente para o Galo, a diretoria montou um time forte, com grandes nomes. Quando começou o Brasileirão mal pude acreditar que aquele era o time que foi montado para disputar o título. Ficamos muito tempo na zona de rebaixamento, foi um sufoco” conta Natália Martins, apaixonada torcedora do Atlético.

Sem mexer muito no elenco de jogadores de 2009, o Cruzeiro começou o ano decepcionando sua torcida. Primeiro foi eliminado para o Ipatinga na semifinal do Mineiro, depois acabou perdendo para o São Paulo nas quartas de finais da Taça Libertadores, dando adeus ao sonho do tri da América. Com a saída do técnico Adílson Batista e a chegada de Cuca, depois Montillo, o time celeste deu uma grande arrancada no Brasileirão 2010. “O pós Copa do Cruzeiro foi muito bom, fomos o melhor time visitante do campeonato e tivemos a segunda melhor campanha do torneio. Uma pena não termos sido campeões, seria um ano maravilhoso, mas a garra do time no segundo semestre me deixou orgulhoso e confiante para os campeonatos de 2011” conta o torcedor celeste Leonardo Medeiros.

Já o América, com um time repleto de jogadores experientes, a exemplo do rival celeste, não fez um bom Campeonato Mineiro e saiu antes mesmo de chegar a reta final. Com um início de ano abaixo do esperado, nem mesmo o torcedor mais otimista do time alviverde poderia imaginar o que estava por vir. No Campeonato Brasileiro da série B, o América teve uma ascensão meteórica e chegou entre os primeiros colocados, com isso, ganhou o direito de disputar, no ano que vem, a elite do futebol nacional. “Estou muito feliz, faziam nove anos que o América caiu da série A, nem chegamos a disputar a fórmula de pontos corridos quando estávamos na elite, isso era uma frustração. Esse ano de 2010 foi maravilhoso, mas acho que o time e a diretoria vão surpreender ainda mais em 2011. Estou confiante e ansioso para o ano que vem”, conta João Henrique, torcedor do Coelho

O jornalista Carlos Eduardo afirma que os diferentes momentos vividos pelos times é reflexo do trabalho da diretoria. “O Alexandre Kalil é um bom presidente, é um apaixonado torcedor do Galo e, acredito que por isso, buscou montar um time forte e cheio de grandes nomes” relata. No entanto, segundo Carlos Eduardo, o Presidente Atleticano “pecou” ao demorar para trocar a comissão técnica alvinegra. “O erro do Kalil não foi montar um time caro, isso foi um aposta, que no começo até deu certo, o erro aconteceu quando o Presidente demorou a tomar atitude em relação ao Vanderlei. Quase que o Atlético pagou caro com essa decisão” conclui o jornalista.

Para Débora Carvalho, estudante de jornalismo e colaboradora de um site esportivo, a diretoria do Cruzeiro manteve a política de cautela, adotada há alguns anos pelos irmãos Perrela. “Todos sabem que o Cruzeiro não contrata jogadores com salários exorbitantes, não que não tenha atletas com altos salários, mas a diretoria busca equilíbrio, por isso sempre acaba vendendo um ou dois bons jogadores no começo do ano”. Em contrapartida Débora indaga sobre atletas como Gilberto, Roger e Montillo. “Mesmo sempre pregando cautela nas contratações, o Cruzeiro, esse ano, contou com jogadores caros. Já tinha no elenco o Fábio, depois chegou o Gilberto e Roger e, na parada para a Copa, a diretoria contratou ainda o bom argentino Montillo” afirma a estudante. Débora conclui fazendo uma avaliação do time na temporada: “O investimento que a diretoria celeste fez, se revelou de maneira muito boa, afinal, o time foi vice campeão brasileiro e garantiu, pelo quarto ano seguido, uma vaga na Libertadores”.

“A diretoria do América fez diferente em relação aos seus rivais mineiros” é o que conta Débora Carvalho. “O time do América não tem estrelas. Tem jogadores experientes e conhecidos, como o atacante Fábio Junior, mas, atualmente, não conta com nenhum grande destaque em seu elenco”. Carlos Eduardo acredita que esse seja o diferencial que fez o América subir para a série A do Campeonato Brasileiro. “A diretoria do América foi prudente e, acredito eu, muito sábia. Eles trabalharam com um elenco que cabe em sua realidade financeira, contrataram um técnico que para alguns é desconhecido, mas extremamente eficiente. Diretoria, atletas e comissão técnica do time alviverde merecem os parabéns, foram unidos e trouxeram de volta a elite o América, esse time tão tradicional e tão importante para o cenário do futebol mineiro” afirma Carlos Eduardo.

O ano de 2010 termina de forma positiva para esse esporte em Minas Gerais. “É uma grande conquista que América, Atlético e Cruzeiro obtiveram para o futebol mineiro. É importante o nosso estado contar com três forças na elite do Brasileirão do ano que vem. É preciso que esses times reforcem agora seus elencos, mas que as diretorias sejam cautelosas para não afundar seus clubes em um mar de dívidas” pondera Carlos Eduardo. O jornalista afirma ainda que o fato de Minas ter, ano que vem, três times na série A do principal campeonato nacional é um impulso para se quebrar a hegemonia de Rio e São Paulo sobre o futebol brasileiro. “Espero que os times mineiros venham fortes para o ano que vem, que assim como o Cruzeiro esse ano, todos possam lutar pelo o título. Será um grande ganho, não só para o futebol do nosso estado, mas para o futebol nacional” examina.

As perspectivas de torcedores, profissionais do jornalismo, atletas e diretoria é que 2011 seja um ano vitorioso para o futebol mineiro. “2010 foi bom, mas em 2011 acho que será ainda melhor, tem tudo para ser um grande ano no que diz respeito ao nosso futebol” relata a esperançosa Débora. O calendário futebolístico mal acabou e grande parte dos mineiros já espera com ansiedade pela temporada 2011. “Quero que ano que vem chegue logo. É ruim não ter futebol, não ir ao campo ou ficar com os olhos grudados na TV vendo meu time jogar. Acho que 2011 vai ser fantástico” afirma Leonardo Medeiros, o fanático torcedor cruzeirense. Agora, resta a todos os mineiros, amantes do futebol, a espera e a esperança de um 2011 vitorioso.

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Carolina Sanguinete, 21 anos, nascida e criada em Belo Horizonte. Estudante do 8º período do curso de Jornalismo.