quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Animes como uma forma de encontrar prazer


Adolescentes utilizam os mangás como diversão em seu dia-a-dia

Carolina Fernandes, Carolina Sanguinete, Lara Nassif e Wanessa Viégas

Embora pareçam ter uma rotina perfeitamente comum, as adolescentes Iara, 15 anos e Lorene, 17, levam uma vida um pouquinho diferente das demais. Elas acordam cedo. Mas não para ir ao colégio. A sala de televisão parece atraí-las logo que acordam. “É que Anime é meu vício” diz Iara Rosa de Carvalho, que é completamente obcecada por Animes. A garota conta que, antes mesmo de sair para ir à escola, sente necessidade de ligar a TV para assistir a desenhos japoneses.

A psicóloga Vanina Dias, 44, explica que o fanatismo por anime, como por qualquer outro objeto, está relacionado ao tipo de prazer que esse objeto traz à pessoa fanática. Então, se prender aos animes, pode ser uma forma de buscar o prazer, evitando outras situações que tragam desprazer ou sofrimento.

Porém, todo comportamento exagerado e sem controle pode ser considerado uma doença. Assim, se a pessoa fanática age de forma exagerada e sem controle com os animes, deixa de ser uma simples admiração e passa a ser uma doença, completa a profissional.

Quando questionada sobre sua rotina, Iara garante que o vício não atrapalha as tarefas da escola, tampouco seu desempenho dentro de sala. “Minha rotina é só um pouquinho diferente”, diz a menina. Ela conta ainda que a maioria dos seus amigos também são fãs dos desenhos japoneses e que ela os conheceu nos eventos que reúnem os apaixonados por anime. Ao falar sobre os eventos, Iara diz que vão pessoas de todas as idades, “a gente vê crianças de uns 5, 6 anos. Tem até um homem que a gente vê todo evento que deve ter uns 40 anos”, conclui. A adolescente alega que, às vezes, se sente diferente por ser fã de uma coisa que muitas pessoas não compreendem e que, por ignorância, acham esse fanatismo ridículo.

Os fãs de anime costumam se vestir dos seus personagens preferidos para irem aos eventos, essa caracterização é conhecida como Cosplay. Os cosplayers, como são chamadas as pessoas que se vestem com roupas iguais aos desenhos, dizem que o principal objetivo dos festivais, além da diversão, é fazer amigos.

Os otakus e as otomes, como são conhecidos os meninos e meninas fanáticos pelos desenhos japoneses, participam de grupos de cosplay, no qual eles se reúnem e dividem suas experiências. Lorene conta que ela e as meninas do seu grupo, Sexy Jutsu Team, se encontram sempre para ensaiar as coreografias e os desfiles dos quais elas participam nos festivais que agrupam vários cosplayers. Nesses eventos divididos em três categorias – individual, dupla e apresentação em grupo – existem premiações variadas, desde DVDs a prêmios em dinheiro para os primeiros colocados.

Ao contrário de Iara e Lorene, o adolescente Gustavo Silva, 16 anos, popularmente conhecido como “Gusta”, não se considera fanático. Fanatismo, de acordo com a psicóloga, é uma tendência exagerada e compulsiva de uma pessoa em se ligar a algum tipo de objeto, pessoa, situação ou comportamento. “Apesar de gostar muito e me identificar com os desenhos, principalmente com o personagem Naruto, não me considero fanático”, conta Gusta. Ele acrescenta, ainda, que não vive em função dos animes e possui uma rotina normal.


O Fanatismo se dá no mito dos personagens

Psicólogo afirma que o fanático pratica tudo ao extremo

Wagner Nicolau formado pela Universidade Paulista em 2006 é estudioso de comportamento humano e pesquisador sobre o fanatismo. Em entrevista ao Impressão fala sobre o que é o fanatismo em geral, fanatismo por animes e como ele pode afetar a vida da pessoa que sofre com o mal.

O que é fanatismo?

Bom, vou responder de forma mais geral, pois só para definir fanatismo precisa de um estudo aprofundado do tema, e que pode ser definido de muitas formas dependendo do foco pesquisado.

Fanático é aquele que não tem a capacidade de se colocar na individualidade alheia, ou seja, é extremo naquilo que é, pensa e faz.

E o fanatismo por anime?

No anime o fanatismo pode se projetar profundamente na fantasia dos personagens, história etc. Todos vivemos nosso lado voltado para a realidade comum e a fantasia, seja a fantasia dos sonhos, filmes, músicas, idealizações etc. O fanático no anime pode se dizer que gasta grande parte do seu tempo e interesse nesta fantasia, deixando de lado seu senso crítico com a realidade das outras pessoas.

No caso do anime quem são as pessoas mais propícias a virarem fanáticas?

Não é possível dizer quem são as pessoas propensas a se tornarem fanáticas pelo anime. Muitas características psicológicas podem levar ao fanatismo. O motivo que leva uma pessoa a ser fanática pode ser bem diferente de outra, mas a característica que as une é o fato de vivenciarem a situação com extremismo, com certa obsessão e desinteresse pela individualidade dos outros que não fazem parte de seu círculo.

O fanatismo pode ser considerado uma doença?

O fanatismo pode sim ser considerado uma doença, uma vez que prejudica o indivíduo em suas relações com a sociedade, sua capacidade de autocrítica, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Interferindo assim, no modo como age socialmente, em sua família e em suas relações interpessoais.

Você disse que o fanatismo pode prejudicar as relações interpessoais. Como que isso pode ocorrer?

Podemos citar como exemplo, no caso, um fanático por um time de futebol que ao extremo se recusa a conversar com uma pessoa que torce por outro time. Ou, um fanático religioso que não aceita pessoas que não pensem como ele, adotando uma verdade absoluta que o impede de compreender a realidade de outras pessoas. Gerando dessa forma, intolerância para com o outro e limitando suas relações.

Quais são as características de uma pessoa fanática?

A obsessão por uma crença, ritual, estilo de vida etc; a intolerância com outras pessoas que sejam diferentes no que toca seu fanatismo, o desinteresse pela realidade do outro e certa perda de autocrítica. O fanatismo pode se tornar irracional quando a pessoa mesmo sem saber explicar o porquê de sua obsessão continua em sua crença.

O que é possível fazer para se evitar o fanatismo?

Não existem meios preventivos para se evitar o fanatismo. É importante sabermos avaliar nossas atitudes e reconhecer nossos limites. Quando notamos que nosso comportamento está nos prejudicando é hora de procurar ajuda profissional.


No caso da pessoa já ser fanática o que se pode fazer para acabar com isso?

É possível fazer uma avaliação psicológica para detectar a estrutura psicológica
e comportamental do indivíduo, e o tratamento se dá por psicoterapia. Em casos
onde haja muita ansiedade ou outros sintomas agravantes, o tratamento psiquiátrico é feito com medicamentos em conjunto com a psicoterapia.

Um comentário:

  1. Até que enfim resolvi postar alguma coisa no blog né?! Então, essa matéria foi feita no 5º período e saiu no Caderno Especial do Jornal Impressão do Uni BH, sobre Fanatismo.

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Carolina Sanguinete, 21 anos, nascida e criada em Belo Horizonte. Estudante do 8º período do curso de Jornalismo.